A CAPELA DO CAXAMBÚ:


A Capela do Caxambu passou por várias fases ao longo de sua história. A primeira capela, originada no século XIX, foi construída pelos portugueses que moravam na região. Era feita de taipa de pilão, com porta pintada de azul e tinha seis coqueiros na frente.

A fase posterior ocorre em 1910 quando se decide em construir uma nova capela mais ampla e o local escolhido é acima desta original, construída em tijolos, para que atendesse o número de devotos que sempre aumentava.

Os moradores no Núcleo Colonial Barão de Jundiaí (Caxambu, Toca e Roseira) região que abrigava os imigrantes italianos, construíram a nova capela em terras do antigo Sítio Caxambu, doadas por Francisco Silvério Molinari e sua esposa Catarina Faraoni. Esta capela foi dedicada ao Bom Jesus, cuja comemoração é no dia 6 de agosto .

Ao longo dos anos, as festas obedeciam a uma programação: ao toque de alvorada ao amanhecer com rojões. Os “programas da festa” eram divulgados pelas rádios e jornais. Havia a missa, a procissão percorria as ruas do bairro com a banda do Carlitos ou a Banda São João, ou bandas vindas de fora. Recolhia-se o cortejo à igreja e, a partir daí, começava a quermesse com prendas doadas. Também havia barracas de doces, a rifa, o churrasco no pão, o picadinho, o jogo de argola. A prenda maior da rifa era sempre a leitoa com a maçã na boca. A rifa era feita com a roleta de números.

Entre as atrações das festas, destaca-se o leilão de prendas, com doces, roscas, galinhas, frangos, galos, bezerros; a corrida do Corrida do Coelhinho da Índia. E, entre as comemorações realizadas ao longo de cada ano, comemora-se o dia de Santo Antonio, com missa e benção e distribuição dos pãezinhos.

Além das Festa do Padroeiro, a coroação de Maria, foi realizada por muitos anos no bairro. Atualmente, comemora-se os dias de Santo Antônio, da Mãe Rainha, Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e o Sagrado Coração de Jesus, toda primeira sexta-feira de cada mês. Em janeiro, a paróquia também homenageia São Vicente Mártir, padroeiro dos viticultores.

A PARÓQUIA:

A Capela Senhor Bom Jesus foi fundada em 06 de agosto de 1911. A comissão fundadora foi formada por padre Luiz Maria Rossi, Orlando Fava, João S. de Oliveira, Santo Fontebasso, Batista Baldin, Giustiniano Borin, Luiz Vendramin e Antonio Baldin. Em 1932, aconteceu a primeira festa religiosa em louvor a São Vicente, nesta festa já se vendia uvas.

Em 04 de julho de 1935, Francisco Silvério Molinari e Catarina Faraone Molinari doaram, à Mitra de São Paulo, uma área de 9.100 m2, desmembrada do Sítio Caxambu. Nesta área foi construída a igreja do Senhor Bom Jesus. O ano de 1968 marca a criação da Paróquia do Caxambu.

CRONOLOGIA

Durante as festas religiosas, a comunidade organizava a congada, composta de pessoas de Itatiba e Jarinú, vestidos de branco com fitas coloridas.

- 21 de agosto de 1910 foi colocada a “pedra fundamental” da nova igreja, acima da capela antiga. A capela construída tinha 5 metros de frente por 9 metros de fundo, com piso de lajotas de 25 X 25 (tipo usada em terreiro de café) nela foi rezada a primeira missa em 1911 com as imagens novas do Bom Jesus, Nossa Senhora da Conceição e Santo Antonio.

- Setembro de 1935, João Cereser relembrou em reportagem ao Jornal da Cidade de 02 de fevereiro de 1980, “os vinicultores do bairro, muito religiosos se reuniram para indicar qual seria o santo padroeiro da viticultura no Caxambu. Acreditavam que essa devoção poderia solucionar o problema das chuvas. (...)” O santo escolhido acabou sendo “São Vicente Mártir”;

- 22 de janeiro de 1936 é realizada a 1ª Festa da Uva do Bairro do Caxambu em louvor a São Vicente, com este nome. Nas anteriores já eram vendidas uvas nas festas;

- 22 de janeiro de 1937 a procissão foi realizada com o quadro do santo pelas ruas do bairro. E foi organizado um livro de ouro, arrecadando dinheiro para pagar os “Irmãos Romano” para que se fizesse uma imagem de São Vicente, que é a mesma que se encontra na Matriz da paróquia do Bom Jesus do Caxambu;

- 11 de outubro de 1980 foi descoberta por Paulo Bardi da Fonseca às 11 horas, a caixa da pedra fundamental e nela continha uma ata de 4 folhas e 29 moedas. Após pesquisa, nada foi encontrado sobre a ata da Pedra Fundamental.


CURIOSIDADES

O livro caixa da Capela do Bom Jesus de Pirapora, Caxambu, Paróquia da Vila Arens (setembro de 1931- maio de 1941) tem o registro de alguns números curiosos em relação à Paróquia do Caxambu.

- 06 de agosto de 1933: esmolas angariadas para a Festa de S. Bom Jesus – 144$000:
Leilão – 379$300 (líquido);
Roda de Israel – 65$400;
Doces – 161$900;
Taxas dos tabuleiros – 21$200;
Venda de bebidas – 156$600;
Donativo oferecido pelo Sr. Antonio Brognoli de um quinto de vinho no valor de 70$000, vendido ao Sr. Luiz Ungaro. Entre os pagamentos aparece: banda de música, fogos de artifícios, enfeites dos altares e andores. Aparece também o Sr. Luiz Vendramin como leiloeiro;

- 01 de junho de 1936: Pago as porteiras para fechar o terreno da capela á Jacomo Maria, pago os pedreiros da reforma do telhado da capela – 100$000.

- 17 de janeiro de 1937:
Despesas Gerais – compra do quadro de São Vicente – 130$000.

- 04 de novembro de 1937: Despesas gerais – pago pela compra de ladrilhos para ladrilhar a capela – 1.284$000, mais carrinho, areia cal, água, cimento, mão de obra de pedreiro e servente – total 1.944$300.

Textos: João Borin